segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Passagem do Ano

O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do ano
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um ano novo.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

[Carlos Drummond de Andrade]

domingo, 30 de dezembro de 2007

O Guardador de Rebanhos

XIV

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.

Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado
E a minha poesia é natural como o levantar-se vento...


[Alberto Caeiro]

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Sarapalha

"Um barulho. É o cachorro magro, que agita as orelhas dormindo, e dorme alertado, com o focinho cúbico encostado no chão."

[João Guimarães Rosa]

domingo, 2 de dezembro de 2007

Formidável Mundo Cão

Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
Tirar das costas esse peso
No corre-corre de doidos e animais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
Tirar das costas esse peso
No empurra-empurra de freiras e marginais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso


[Jay Vaquer]

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

364 Páginas Rasgadas

É uma história. É um livro de 365 páginas. É sofrimento. Como a moral tentou perseguir. A falsa moral. Uma perseguição frustrada. Mas isso é apenas narrado em 364 páginas. Sobra-me uma. Somente uma página. É nessa que encontro sentimentos verdadeiros: tristezas, alegrias, amor, críticas, elogios, decepções. Risos, festas, filmes, estudos, conselhos, brigas, saídas. São cenas fingidas e cenas vividas. Há também uma foto anexada, não revelada. Revela-se na mente de quem lê. Ali encontro alguns parágrafos escritos à tinta. Um parágrafo para a descrição de cada personagem. São personagens mais que esféricos com conflitos entrelaçados. Impossível entendê-los, pois foram vividos. Permanecem marcados. É um enredo inapagável.

Penso que não vale guardar esse livro. Então rasgo todas as primeiras 364 páginas e as jogo muito longe. Longe onde o vento possa levá-las. Longe onde o vento possa engoli-las. Resta-me a página de número 365. Aquela página. É uma página eterna. Leio-a novamente e depois a guardo no fundo da gaveta do criado-mudo. Será aquela velha folha perdida e amarelada que tempos depois encontrarei e lerei. Tenho certeza que lágrimas acompanhar-me-ão nessa leitura saudosista.

Amigos,
Foram perdas e desacertos para uma vitória concreta. Essa vitória pode ainda não estar concretizada, porém em breve estará. Sucesso fincado!




Alysson Kálleb

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Uma Folha De Outono

Vejo-a cair.
Vejo-a secar.
Piso.
Tão prazeroso senti-la morta.
Piso.
Ver uma vida finita.




Alysson Kálleb

sábado, 27 de outubro de 2007

Tijolos

Ponho-me numa construção.
Fundação, tijolos, cimento.
Tijolo em cima de tijolo.
É trabalho sofrido, suado.
Não desisto, tijolo e tijolo.
E as paredes ficam muros.
E nem me vem mais sol.
Vejo só tijolo, tijolos.
Quatro paredes intensas e eretas.
E o vento começa a acordar.
Esqueci-me da fundação.
Não, não há fundação.
Faltou-me cimento.
Não, não uso cimento.
Deparo-me com tijolos desamarrados.
Fiadas soltas, trêmulas.
O vento boceja, sopra, testa.
E tudo cai sobre mim.
Sobre um construtor frustrado.
Sobre um construtor perdido.



Alysson Kálleb

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Taça Vazia

Ébrio e perturbado vejo a porta abrir...
O maldito rosto angelical ressurge.
Ela no vestido branco manchado de prazer,
Ela com o longo cabelo negro atormentado,
Ela e só a alma lasciva ri.
E as luzes claras já não mais aparecem
E o vento leva todo o suave perfume passado
E o sangue atraiçoado borbulha, sofre.
O desejo exorbitante sufoca, mata, foge.
A última gota de vinho vai-se.
A taça esvaziou-se; mentiras, agora, bastam.



Alysson Kálleb

sábado, 29 de setembro de 2007

Insônia

Torneira pingando, ingando, ngando, gando, ando, ndo.
Vento soprando, oprando, prando, rando, ando, ndo.
Relógio batendo, atendo, tendo, endo, ndo.
Angústia vindo, indo, ndo.
Sono indo, ndo.


Alysson Kálleb

domingo, 16 de setembro de 2007

Numa Morfologia Perdida e Desvairada

Substantivos, privados de rumo, correm indigentes.
Verbos sem tempo ou modo, estáticos.
Artigos nada determinam, definidos indefinem e indefinidos definem.
Adjetivos, sempre fingidos, ofendem escrupulomente as palavras amedontradas.
Preposições desunem termos abraçados, expulsam a crase arredia.
Conjunções desconexam o mundo, deixam as orações aflitas e desnorteadas.


E num piscar de olhos... as regras desregram.
Tudo um fluxo descontínuo e perturbado.
Ou uma morfologia perdida e desvairada?



Alysson Kálleb

sábado, 8 de setembro de 2007

Enterrem-me de preto

Estou numa gelada mesa de mármore. Logo descobrirão que o veneno levou-me o suspiro. Enquanto me rasgam sem piedade, delicio-me com o perfume fúnebre daquele lugar. Tento abrir as pesadas pálpebras para assistir àquilo, mas o sangue já está frio.

Acredito que já descobriram a causa da morte, pois, agora, a agulha e a linha fecham os cortes no ventre. Jogam-me numa caixa gelada e muito fria, onde pressinto que há pessoas no estado em que me encontro.

Um silêncio profundo toma conta de tudo (e só as reticências podem descrevê-lo).
...


Algum tempo depois, tiram-me dali e tampam meus ouvidos e minhas narinas com algodão. Sei que a maldita e hipócrita cerimônia começará. Não quero velório, não quero choro. Apenas quero seguir esse novo caminho tortuoso. E um último desejo: enterrem-me de preto. É somente o que vejo.


Alysson Kálleb

sábado, 1 de setembro de 2007

Um Pouco de Alberto Caeiro

Aguns trechos de Poesia Completa de Albero Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa):

O Guardador de Rebanhos

V

O que eu penso do mundo?
Sei lá o que penso do mundo.
Se eu adoecesse pensaria nisso.

XIII

Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
Eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

XXIV

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê
Nem ver quando se pensa.


O Pastor Amoroso

IV

Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.


Poemas Inconjuntos

UM DIA de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem, cada um como é.

MEDO da morte?
Acordarei de outra maneira,
Talvez corpo, talvez continuidade, talvez renovado,
Mas acordarei.
Se até os átomos não dormem, por que hei-de ser eu só a dormir?

OLHO, e as coisas existem.
Penso e existo só eu.

POUCO me importa.
Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.

NÃO SEI O QUE é conhecer-me. Não vejo para dentro.
Não acredito que eu exista por detrás de mim.


Fragmentos

Diferente de tudo, como tudo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Demais Inexistente

Sinto pouco existir.
Marco os pés na areia,
Mas logo o vento sopra
E as pegadas somem.

Esse vestígio de vida
Não existe mais.
Nunca existiu.
Apenas surgiu e desapareceu.


Alysson Kálleb

sábado, 25 de agosto de 2007

Morri Enforcado

Eu ainda segurava o revólver. Apenas alguns anos numa cadeia imunda. Aproximei-me do recém-defunto, joguei a arma em cima dele. Senti o peso do mundo sob meus ombros. Andava sem rumo naquele cômodo. Não deveria ter feito aquilo, ele era meu pai. Fiz com razão, ele tomou a minha moça dos cabelos de fogo. Queimou um sonho, um amor, um desejo. Trouxe-me a tortura.

Lúcia estava para chegar. Quando chegasse e visse o amante estirado no chão ensangüentado... Nunca mais me amaria. Aliás, ela nunca me amou. Eu que sempre comprei o amor dela. Irreal. As noites de volúpia vinham-me à mente. As lembranças tentavam afastar a breve conseqüência do meu ato. Ouvi passos no quintal. Era ela. Abriu a porta e se assustou ao ver aquela cena fúnebre. O rápido olhar dela procurou o autor do crime.

- Filho da puta, gritou ela. Como você pôde fazer isso?

- Sai daqui vagabunda!

Eu corri e peguei o revólver que estava em cima do morto. Apontei para ela:

- Vai embora.

- Assassino! Fique você sabendo que eu nunca fui só sua, sempre me deliciava com seu pai...

- Cala a boca!

Apertei o gatilho e uma bala atravessou o esbelto corpo daquela mulher de desejos. Mirei o revólver no meio da minha cara, mas não havia a terceira bala. Infelicidade. Não, não! Eu tinha feito o bastante. Sabia que ficaria sentado num chão úmido e purulento de uma cela por anos. O guarda que fazia plantão na praça devia ter ouvido os tiros e logo chegaria com aquelas algemas desconfortáveis. Meus punhos sangrariam. Não, não! O assoalho estava manchado com o sangue dos dois infames. Não, eu era o único infame.

Debrucei-me na mesa e pensei como seria minha vida a partir dali. Fugir? Viver escondido de todos? Não, não! Dormir num velho jornal em companhia de ratos? Também não. Levantei o rosto e vi uma corda enrolada perto de um banquinho. Minutos depois a corda estava amarrada numa viga que sustentava o telhado e o nó pronto. Pus o banquinho em baixo da corda feita, subi nele e do alto olhei os dois corpos inertes. Encaixei meu pescoço na corda e com um dos pés chutei o banco. 1, 2. Como o escuro pode ser tão errado...




Alysson Kálleb

sábado, 4 de agosto de 2007

Traça

Acordo assustado, mente cansada do descanso interrompido.
Procuro a fonte dos gritos ensurdecedores.
Percorro e não encontro.
Marco onde piso, escorre sangue de mim.
Meu corpo é só ruído.
Elas andam em meus vasos.
Vejo buracos sobre a superfície do futuro cadáver.
Não se contentaram em acabar com os meus livros, únicos que me entendiam.
Abrem-me o ventre, pedaços de órgãos ensangüentados vão ao chão.
Já não consigo respirar, tomaram meus pulmões.
Sinto que elas estão mastigando os alvéolos.
São muitas, agregam-se aos músculos e os deformam.
Sei que nada posso fazer, abro a porta para a morte sem desespero.
Cai-me um dos olhos, rompem-se os ligamentos dos dedos.
Deito-me e espero que elas cheguem ao lugar das páginas conservadas.
Não jorra mais sangue, elas têm sede e o bebem.
Marcham para lá, acabaram com as letras escritas e acabarão com as letras guardadas.
Chocam-se contra o crânio, o último obstáculo.
Deliciam-se na massa encefálica, são insaciáveis.
Não ouço mais o som infernal de milhares de salivas lançadas com prazer.
Restam fragmentos de carne minha que serão devorados.
De nada adiatou o esforço para preservar as ilustres palavras lidas.
Foram engolidas.
Agonizo lentamente...



Alysson Kálleb

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Leiam no LIF!:

"Embarcar, Voar e Morrer?"

"Escada de bandido brasileiro"

http://www.lifak.blogspot.com/

°°°

"O punhal revolve a chaga que me mata."


[Insônia: "Paulo" - Graciliano Ramos]

Suor

Na cama,
Sentindo o desejo encoberto.
Tiro!

Na rua,
Comendo o recheio da carteira roubada.
Tiro!

Na janela,
Esperando a fuga do fôlego.
Tiro!

No céu,
Voando almas trausentes.
Tiro!

No sono,
Escurecendo no desespero.
Tiro!

Na calçada,
Buscando algumas notas de prazer sofrido.
Tiro!

No relógio,
Contando as batidas infinitas.
Tiro!

Na urbe,
Percorrendo estranho perdido.
Tiro!

Na boca,
Escorrendo a última gota de vida.
Tiro!

Suor tem tiro.
Tiro, tiro, tiro.



Alysson Kálleb

quinta-feira, 12 de julho de 2007

°°°

"... O tempo é a ocasião passageira dos fatos, mas sobretudo - o funeral para sempre das horas."
[O Ateneu - Raul
Pompéia ]

°°°

"(as palavras) Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo."

[A Rosa do Povo - CDA]

domingo, 1 de julho de 2007

Precisa-se de idéias...

Como a maioria já deve saber, eu tenho um imenso prazer em criticar e satirizar nosso ilustríssimo presidente. Porém minha mente ultimamente não tem colaborado com esse meu prazer.
Se você tiver alguma idéia colabore comigo....


Alysson Kálleb

terça-feira, 26 de junho de 2007

°°°

"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

[Graciliano Ramos]


Texto perfeito!!!

My Chemical Romance - Cancer

Turn away
If you could get me a drink
Of water 'cause my lips are chapped and faded
Call my Aunt Marie
Help her gather all my things
And bury me in all my favorite colors
My sisters and my brothers still
I will not kiss you
'Cause the hardest part of this
Is leaving you

Now turn away
'Cause I'm awful just to see
'Cause all my hairs abandoned all my body
Oh my agony
Know that I will never marry
Baby I'm just soggy from the chemo
But counting down the days to go

It just ain't living
And I just hope you know

That if you say
Goodbye today
I'd ask you to be true
'Cause the hardest part of this
Is leaving you

Cause the hardest part of this
Is leaving you

domingo, 24 de junho de 2007

°°°

"... Como certos acontecimentos insignificantes tomam vulto, perturbam a gente! Vamos andando sem nada ver, o mundo é empastado e nevoento. Súbito uma coisa entre mil nos desperta a atenção e nos acompanha. Não sei se com os outros se dá o mesmo. Comigo é assim. Caminho como um cego... "


[Angústia - Graciliano Ramos]

Morri afogado

Não me lembro se me empurraram ou se me joguei naquelas profundas águas. Mas isso é de mínima importância. Quando pequeno, sempre me divertia prendendo a respiração debaixo de águas e imaginava como as pessoas morriam afogadas. Se soubesse que aconteceria comigo...

Aqui, afirmo que me joguei, pois assim só culpo a mim mesmo. Nunca tive o interesse de aprender nadar, acredito, porém, que mesmo nadando morreria. A morte apenas demoraria mais. Se o tempo soubesse como é a morte...

Senti a água fria, congelante. Foi como receber uma facada no centro de meu coração. Meu corpo se equilibrou com a temperatura do profundo e aos poucos voltei à superfície. Última vez que vi o céu. Rápidos segundos de alívio, logo comecei afundar novamente. Prendi a respiração e enquanto a luz me sumia via lembranças da minha vida. Era insuportável a pressão da água sobre mim. Pedia ajuda para quem me matava. Inútil. Água pela boca e pelas narinas. Ficava cada vez mais pesado. Impossível descrever a sensação de ter os pulmões ausentes de ar, cheios de água. Via a vida indo embora. A escuridão do mar atrapalha minhas lembranças. Além disso, nada sei...

Água, água e água. Assassina água. Se pudesse matá-la...
Morri, experimentei o inexperimentável e agora não sei onde estou.



Alysson Kálleb

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Relatos da caneta e do óculos presidenciais III (último)

Óculos:
- Foram tantas ligações no gabinete presidencial durante essa semana! E ele fez questão de atendê-las...

Caneta:
- Também percebi. Muitos tumultos, conversas... sinto cheiro de problemas!

Óculos:
- Justamente. Tenho a impressão de já ter sentido esse cheiro de sujeira por muitas vezes no primeiro mandato dele.

Caneta:
- Estou pouco me importando com isso, não sou eu que estou jogando o lixo debaixo do tapete de novo. A gente tem que "relaxar e gozar".


Alysson Kálleb

terça-feira, 12 de junho de 2007

Linkin Park - Valentine's Day

My insides all turn to ash
So slow
And blew away as I collapsed
So Cold
A black wind took them away
From sight
Another darkness over day
That night

And the clouds above move closer
Looking so dissatisfied
But the heartless wind kept blowing, blowing

I used to be my own protection
But not now
Because my path has lost direction
Somehow

A black wind took you away
From sightA
nother darkness over day
That night

And the clouds above move closer
Looking so dissatisfied
And the ground below grew colder
As they put you down inside
But the heartless wind kept blowing, blowing

So now you're gone
And I was wrong
I never knew what it was like
To be alone...

On a valentine's day
On a valentine's day
On a valentine's day
On a valentine's day

[...]

domingo, 10 de junho de 2007

°°°

"And sometimes you close your eyes and see the place where used to live, when you were young..."

[The Killers]

sábado, 9 de junho de 2007

°°°

[...] Tantos caminhos errados na vida! Quem sabe escolher com segurança os atalhos menos perigosos? A gente vai, vem, faz curvas e ziguezagues, e dá topadas de arrancar as unhas. A água lava tudo, as feridas mais graves cicatrizam. [...]

[Angústia - Graciliano Ramos]

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Ontem

Saiu por aí tentando buscar um sentido para a vida. Frio, muito frio. Sentia o vento gelado em seu sangue. Logo veio a chuva com suas pesadas gotas d'água. Molhou-se. Encharcado, parou e olhou ao seu redor. Nada viu além de seus pensamentos e da natureza.
Ontem buscou um sentido para a vida e encontrou o poder da natureza e o poder de sua mente...

Alysson Kálleb

quinta-feira, 7 de junho de 2007

°°°

"Os livros são tão vivos como os seres humanos."

[John Milton]

quarta-feira, 6 de junho de 2007

°°°

"Realismo é pessimismo disfarçado por conceitos duvidosos."

[Henrique Rochelle Meneghini]

terça-feira, 5 de junho de 2007

Humanitismo, Quincas Borba, Machado de Assis...

Estava pensando em Machado de Assis, como sempre, e me lembrei de uma frase:


"Ao vencedor, as batatas..."

Coitado de Quincas Borba! Um homem tão inteligente morrer, deixando sua fortuna para o panaca do Rubião...
Ainda bem que temos outra fortuna deixada por ele: a Teoria do Humanitismo.
Leia o trecho abaixo quem for apreciador da obra machadiana; leia também quem não for, pois cultura não faz mal a ninguém!

"Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos que assim adquire forças para transpor a montanha e e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais feitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas."

[Quincas Borba - Machado de Assis]
Alysson Kálleb

Pesadelo de Hugo Chávez

Em fundo vermelho, Chávez gritava no seu pesadelo:

- ... Não, não! São os demônios da oligarquia... Vocês não vão me tirar do poder, serei perpétuo. Parem de sussurrar em meus ouvidos! Bush, RCTV e Senado Brasileiro, vão todos para o infernooooo... Chapolin Colorado salve-me, salve-me...


"Não contavam com minha astúcia!"
Alysson Kálleb

segunda-feira, 4 de junho de 2007

"... És filho de uma pisadela e de um beliscão; mereces que um pontapé te acabe a casta..."

Leiam a crítica de Memórias de um Sargento de Milícias em:
LIF! http://lif.ak.zip.net/

domingo, 3 de junho de 2007

Relatos da caneta e do óculos presidenciais II

Óculos:
- Depois de tanto tempo o presidente usou-me. Logo cedo, após seu esplendoroso dejejum, ele olhou rapidamente as principais notícias do país.

Caneta:
- Ah! Então foi por isso que o "excelentíssimo" começou escrever uma carta ao Hugo Chávez. Não entendo muito bem os códigos humanos, embora me usem para escrevê-los, ainda mais com a bela caligrafia dele. Mas me lembro de algumas palavras que foram grafadas por mim... Concessão e uma tal de RCTV...

Óculos:
- E ele enviou a carta ao presidente venezuelano?

Caneta:
- Não, não! Já disse que ele apenas começou a carta, gastei minha tinta apenas num parágrafo. Acho que faltou-lhe coragem para acabá-la...



Alysson Kálleb

The Killers - For Reasons Unknown

I pack my case
I check my face
I look a little bit older
I look a little bit colder
With one deep breath,
and one big step,
I move a little bit closer
I move a little bit closer
For reasons unknown

I caught my stride
I flew and flied
I know if destiny’s kind,
I’ve got the rest on my mind
But my heart, it don’t beat,
It don’t beat the way it used to
And my eyes, they don’t see you no more
And my lips, they don’t kiss,
They don’t kiss the way they used to,
And my eyes don’t recognize you no more

For reasons unknown, for reasons unknown [...]


The Killers como sempre supera.... letra e música muito boas!! Puro rock saudosista...

quarta-feira, 30 de maio de 2007

°°°

[...] Há criaturas que não suporto. Os vagabundos, por exemplo. Parece-me que eles cresceram muito, e, aproximando-se de mim, não vão gemer peditórios: vão gritar, exigir, tomar-me qualquer coisa [...]

Angústia – Graciliano Ramos

terça-feira, 29 de maio de 2007

Relatos da caneta e do óculos presidenciais I

Caneta:
- Ai! Estou muito cansada... Como sou usada! São tantos projetos sociais, acordos internacionais e viagens. Vida de estrela não é fácil!

Óculos:
- Nossa! Comigo ocorre o contrário. Faz anos que não sinto uma flanela ser passada em mim, estou sujo e velho. Se são tantas assinaturas, por que eu não sou usado? Será que meu dono está enxergando tão bem assim?



Alysson Kálleb

segunda-feira, 28 de maio de 2007

3 Flores Num Sombrio Jardim

Levanto-me às seis horas da manhã. Infelizmente tenho que enfrentar mais um dia detestável. Merda. Ando tão infeliz, sem ânimo. Preciso de pessoas agradáveis ao meu lado. Visto-me, faço tudo aquilo que todas as pessoas higiênicas fazem antes de sair de casa pela manhã, poupo-me do trabalho de descrevê-las. Olho-me no espelho e vejo mais uma vez a minha insignificância.

Chave, fechadura, porta, luz. Visão? Deparo-me com uma surpresa em meu sombrio jardim. Três flores. Flores humanas, falam. Até de mais. Animadas, curiosas, radiantes, inteligentes, divertidas, amigas, extrovertidas (em excesso, talvez), bondosas, perfumadas... São tantos seus adjetivos!

°°°

Essas três flores acabaram mudando meu jeito de viver. Plantei-as num vaso, um bonito vaso, e as pus em frente ao espelho que me vejo todos os dias. Desta forma, elas sempre iluminarão os meus dias.


OBS.: Singela homenagem a Karen Freire, a Karen Möller e a Aline Sindeaux.
Alysson Kálleb
SOCIALISMO = intolerância, utopia, tragédia, incompetência e ditadura.

O socialismo, simplesmente, resume-se nessas cinco palavras!!!


Leiam o "O desastre dos socialismos cubano e venezuelano" em:
LIF! http://lif.ak.zip.net/

Torto mundo, tortíssimo

Espelho-me em grandes mestres. Traço um futuro esplendoroso. Preciso explodir para o mundo, entretanto não me compreendem. Vomito o falso moralismo. Preciso de um mundo melhor, pagãos talez possam entender-me.

Sonhos? Cansei de perdê-los. Metas? Cada vez mais sinuosas, andam nos lamaçais. Melhor seria se o mundo fosse consumido e meus sonhos com eles, pois sangraria mais rápido.Ilusão! Só e somente ilusão possuo. Estou preso numa bolha de angústia, o desespero sufoca minha alma. Estou cercado de hipócritas, dou-lhes o ódio que jorra de meu peito.

Será que um dia hei de desintortar este torto mundo, tortíssimo? Sem forças, confesso. Ainda me sobra a amizade, talvez. O pessimismo reina em mim, grande face realista. Entrego-me ao destino, a morte melhor seria.

OBS.: Não sei por que escrevi esse texto, não faz meu estilo literário. Acho que foi a força da situação!!!


Alysson Kálleb