sábado, 27 de outubro de 2007

Tijolos

Ponho-me numa construção.
Fundação, tijolos, cimento.
Tijolo em cima de tijolo.
É trabalho sofrido, suado.
Não desisto, tijolo e tijolo.
E as paredes ficam muros.
E nem me vem mais sol.
Vejo só tijolo, tijolos.
Quatro paredes intensas e eretas.
E o vento começa a acordar.
Esqueci-me da fundação.
Não, não há fundação.
Faltou-me cimento.
Não, não uso cimento.
Deparo-me com tijolos desamarrados.
Fiadas soltas, trêmulas.
O vento boceja, sopra, testa.
E tudo cai sobre mim.
Sobre um construtor frustrado.
Sobre um construtor perdido.



Alysson Kálleb

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Taça Vazia

Ébrio e perturbado vejo a porta abrir...
O maldito rosto angelical ressurge.
Ela no vestido branco manchado de prazer,
Ela com o longo cabelo negro atormentado,
Ela e só a alma lasciva ri.
E as luzes claras já não mais aparecem
E o vento leva todo o suave perfume passado
E o sangue atraiçoado borbulha, sofre.
O desejo exorbitante sufoca, mata, foge.
A última gota de vinho vai-se.
A taça esvaziou-se; mentiras, agora, bastam.



Alysson Kálleb