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Nunca soube eu para onde dava a tua estrada
Apenas havia ela
Ali
Na frente da janela
Na frente dos meus olhos
E de repente te vejo pelo rumo dela
Andavas calmo
Descalço
Teus pés pelos paralelepípedos já frios da noite
E ias andando até não mais haver paralelepípedos
A estrada em terra
Tua mesma estrada
De terra agora
E eu não podia mais te ver
Noite fria, sem luz
Tu sumias em tua estrada
Nunca soube.[Alysson Kálleb]
310.Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tangem e rangem, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia.316.Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer.392.O povo é bom tipo.O povo nunca é humanitário. O que há de mais fundamental na criatura do povo é a atenção estreita aos seus interesses, e a exclusão cuidadosa, praticada tanto quanto possível, dos interesses alheios.
Love is old, love is newLove is all, love is you
"Que triste, Doroteu, se pôs a tarde!Assopra o vento sul, e densa nuvemos horizontes cobre; a grossa chuva,caindo das biqueiras dos telhadosforma regatos, que os portais inundam.Rompem os ares colubrinas fachasde fogo devorante, e ao longo soade compridos trovões o baixo estrondo.Agora, Doroteu, ninguém passeia,todos em casa estão, e todos buscamdivertir a tristeza que nos peitosinfunde a tarde, mais que a noite feia."
261.Em mim todas as afeições se passam à superfície, mas sinceramente. Tenho sido actor sempre, e a valer. Sempre que amei, fingi que amei, e para mim mesmo o finjo.
"Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso."
E continuei sentado no banco daquela estação até não mais ouvir o gemer das locomotivas.
Debrucei-me nos teus olhos frios perdidos comigo...
Teu trem já partiu.
Escrevo, ainda, palavras alheias de mim mesmo, nas quais encontro apenas a penumbra do meu âmago.
Acordei com a impressão de que a cada vez que a vassoura batia num móvel ou tangia por uma parede, a pessoa de que dela se utilizava perdia seus dedos até que não houvesse mãos e a vassoura estivesse só.
E ainda tenho os pulmões impregnados de ti.[Alysson Kálleb]