domingo, 9 de agosto de 2009

Sem Título

Nunca soube eu para onde dava a tua estrada
Apenas havia ela
Ali
Na frente da janela
Na frente dos meus olhos
E de repente te vejo pelo rumo dela
Andavas calmo
Descalço
Teus pés pelos paralelepípedos já frios da noite
E ias andando até não mais haver paralelepípedos
A estrada em terra
Tua mesma estrada
De terra agora
E eu não podia mais te ver
Noite fria, sem luz
Tu sumias em tua estrada
Nunca soube.


[Alysson Kálleb]

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Livro do Desassossego

310.

Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tangem e rangem, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia.

316.

Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer.

392.

O povo é bom tipo.
O povo nunca é humanitário. O que há de mais fundamental na criatura do povo é a atenção estreita aos seus interesses, e a exclusão cuidadosa, praticada tanto quanto possível, dos interesses alheios.
[Bernardo Soares]

Because

Love is old, love is new
Love is all, love is you

[The Beatles]

domingo, 27 de julho de 2008

Cartas Chilenas

"Que triste, Doroteu, se pôs a tarde!
Assopra o vento sul, e densa nuve
mos horizontes cobre; a grossa chuva,
caindo das biqueiras dos telhados
forma regatos, que os portais inundam.
Rompem os ares colubrinas fachas
de fogo devorante, e ao longo soa
de compridos trovões o baixo estrondo.
Agora, Doroteu, ninguém passeia,
todos em casa estão, e todos buscam
divertir a tristeza que nos peitos
infunde a tarde, mais que a noite feia."

[Tomás Antônio Gonzaga]

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Livro do Desassossego

261.

Em mim todas as afeições se passam à superfície, mas sinceramente. Tenho sido actor sempre, e a valer. Sempre que amei, fingi que amei, e para mim mesmo o finjo.

[Bernardo Soares]

A Metamorfose

"Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso."

[Franz Kafka]

terça-feira, 15 de julho de 2008

Teu Trem

E continuei sentado no banco daquela estação até não mais ouvir o gemer das locomotivas.
Debrucei-me nos teus olhos frios perdidos comigo...
Teu trem já partiu.

[Alysson Kálleb]

Sem Título

Escrevo, ainda, palavras alheias de mim mesmo, nas quais encontro apenas a penumbra do meu âmago.

[Alysson Kálleb]

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Fragmento Do Sono Interrompido

Acordei com a impressão de que a cada vez que a vassoura batia num móvel ou tangia por uma parede, a pessoa de que dela se utilizava perdia seus dedos até que não houvesse mãos e a vassoura estivesse só.

[Alysson Kálleb]

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Sem Título

E ainda tenho os pulmões impregnados de ti.

[Alysson Kálleb]