terça-feira, 5 de junho de 2007

Humanitismo, Quincas Borba, Machado de Assis...

Estava pensando em Machado de Assis, como sempre, e me lembrei de uma frase:


"Ao vencedor, as batatas..."

Coitado de Quincas Borba! Um homem tão inteligente morrer, deixando sua fortuna para o panaca do Rubião...
Ainda bem que temos outra fortuna deixada por ele: a Teoria do Humanitismo.
Leia o trecho abaixo quem for apreciador da obra machadiana; leia também quem não for, pois cultura não faz mal a ninguém!

"Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos que assim adquire forças para transpor a montanha e e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais feitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas."

[Quincas Borba - Machado de Assis]
Alysson Kálleb

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