sábado, 1 de setembro de 2007

Um Pouco de Alberto Caeiro

Aguns trechos de Poesia Completa de Albero Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa):

O Guardador de Rebanhos

V

O que eu penso do mundo?
Sei lá o que penso do mundo.
Se eu adoecesse pensaria nisso.

XIII

Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
Eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

XXIV

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê
Nem ver quando se pensa.


O Pastor Amoroso

IV

Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.


Poemas Inconjuntos

UM DIA de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem, cada um como é.

MEDO da morte?
Acordarei de outra maneira,
Talvez corpo, talvez continuidade, talvez renovado,
Mas acordarei.
Se até os átomos não dormem, por que hei-de ser eu só a dormir?

OLHO, e as coisas existem.
Penso e existo só eu.

POUCO me importa.
Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.

NÃO SEI O QUE é conhecer-me. Não vejo para dentro.
Não acredito que eu exista por detrás de mim.


Fragmentos

Diferente de tudo, como tudo.

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