[Aluísio Azevedo]
sábado, 9 de fevereiro de 2008
sábado, 26 de janeiro de 2008
Quando Fui Fred Astaire
Começou a faltar a gravidade naquele dia
E o que não se amarrava,
Voava até se perder
Declarado estado de calamidade
E o que se temia
Ninguém explicava
E eu ficava sem entender
Ouvi dizer que tinha a ver
Com a grande mudança no universo
Uma alteração na dimensão de um outro espaço qualquer
Coisa muito difícil pra macaco sabido compreender
E eu que sempre sonhei em voar
Só queria sobreviver
Mas como não sabia o que ia acontecer
Aproveitava e dançava no teto
Feito Fred Astaire
E o mundo fazia sentido
De pernas pro ar
E o mundo visto ao contrário
Parecia no lugar
Começou a faltar gravidade naquele dia...
E o que não se amarrava,
Voava até se perder
Declarado estado de calamidade
E o que se temia
Ninguém explicava
E eu ficava sem entender
Ouvi dizer que tinha a ver
Com a grande mudança no universo
Uma alteração na dimensão de um outro espaço qualquer
Coisa muito difícil pra macaco sabido compreender
E eu que sempre sonhei em voar
Só queria sobreviver
Mas como não sabia o que ia acontecer
Aproveitava e dançava no teto
Feito Fred Astaire
E o mundo fazia sentido
De pernas pro ar
E o mundo visto ao contrário
Parecia no lugar
Começou a faltar gravidade naquele dia...
[Jay Vaquer]
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
sábado, 12 de janeiro de 2008
Tão Alto
Os ventos não lutam,
Apenas sopram num suave correr.
Posso respirar,
Expiro minhas ficções.
Posso ver a mim mesmo,
Pois daqui nada enxergo.
É alto.
Não sei onde estou,
Mas logo cairei.
Apenas sopram num suave correr.
Posso respirar,
Expiro minhas ficções.
Posso ver a mim mesmo,
Pois daqui nada enxergo.
É alto.
Não sei onde estou,
Mas logo cairei.
[Alysson Kálleb]
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Passagem do Ano
O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.
O último dia do ano
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...
Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.
Surge a manhã de um ano novo.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.
O último dia do ano
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...
Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.
Surge a manhã de um ano novo.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.
[Carlos Drummond de Andrade]
domingo, 30 de dezembro de 2007
O Guardador de Rebanhos
XIV
Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.
Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado
E a minha poesia é natural como o levantar-se vento...
[Alberto Caeiro]
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Sarapalha
"Um barulho. É o cachorro magro, que agita as orelhas dormindo, e dorme alertado, com o focinho cúbico encostado no chão."
[João Guimarães Rosa]
domingo, 2 de dezembro de 2007
Formidável Mundo Cão
Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
Tirar das costas esse peso
No corre-corre de doidos e animais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
Tirar das costas esse peso
No empurra-empurra de freiras e marginais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Tirar das costas esse peso
No corre-corre de doidos e animais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
Tirar das costas esse peso
No empurra-empurra de freiras e marginais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
[Jay Vaquer]
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
364 Páginas Rasgadas
É uma história. É um livro de 365 páginas. É sofrimento. Como a moral tentou perseguir. A falsa moral. Uma perseguição frustrada. Mas isso é apenas narrado em 364 páginas. Sobra-me uma. Somente uma página. É nessa que encontro sentimentos verdadeiros: tristezas, alegrias, amor, críticas, elogios, decepções. Risos, festas, filmes, estudos, conselhos, brigas, saídas. São cenas fingidas e cenas vividas. Há também uma foto anexada, não revelada. Revela-se na mente de quem lê. Ali encontro alguns parágrafos escritos à tinta. Um parágrafo para a descrição de cada personagem. São personagens mais que esféricos com conflitos entrelaçados. Impossível entendê-los, pois foram vividos. Permanecem marcados. É um enredo inapagável.
Penso que não vale guardar esse livro. Então rasgo todas as primeiras 364 páginas e as jogo muito longe. Longe onde o vento possa levá-las. Longe onde o vento possa engoli-las. Resta-me a página de número 365. Aquela página. É uma página eterna. Leio-a novamente e depois a guardo no fundo da gaveta do criado-mudo. Será aquela velha folha perdida e amarelada que tempos depois encontrarei e lerei. Tenho certeza que lágrimas acompanhar-me-ão nessa leitura saudosista.
Amigos,
Foram perdas e desacertos para uma vitória concreta. Essa vitória pode ainda não estar concretizada, porém em breve estará. Sucesso fincado!
Penso que não vale guardar esse livro. Então rasgo todas as primeiras 364 páginas e as jogo muito longe. Longe onde o vento possa levá-las. Longe onde o vento possa engoli-las. Resta-me a página de número 365. Aquela página. É uma página eterna. Leio-a novamente e depois a guardo no fundo da gaveta do criado-mudo. Será aquela velha folha perdida e amarelada que tempos depois encontrarei e lerei. Tenho certeza que lágrimas acompanhar-me-ão nessa leitura saudosista.
Amigos,
Foram perdas e desacertos para uma vitória concreta. Essa vitória pode ainda não estar concretizada, porém em breve estará. Sucesso fincado!
Alysson Kálleb
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