quinta-feira, 26 de julho de 2007

Leiam no LIF!:

"Embarcar, Voar e Morrer?"

"Escada de bandido brasileiro"

http://www.lifak.blogspot.com/

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"O punhal revolve a chaga que me mata."


[Insônia: "Paulo" - Graciliano Ramos]

Suor

Na cama,
Sentindo o desejo encoberto.
Tiro!

Na rua,
Comendo o recheio da carteira roubada.
Tiro!

Na janela,
Esperando a fuga do fôlego.
Tiro!

No céu,
Voando almas trausentes.
Tiro!

No sono,
Escurecendo no desespero.
Tiro!

Na calçada,
Buscando algumas notas de prazer sofrido.
Tiro!

No relógio,
Contando as batidas infinitas.
Tiro!

Na urbe,
Percorrendo estranho perdido.
Tiro!

Na boca,
Escorrendo a última gota de vida.
Tiro!

Suor tem tiro.
Tiro, tiro, tiro.



Alysson Kálleb

quinta-feira, 12 de julho de 2007

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"... O tempo é a ocasião passageira dos fatos, mas sobretudo - o funeral para sempre das horas."
[O Ateneu - Raul
Pompéia ]

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"(as palavras) Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo."

[A Rosa do Povo - CDA]

domingo, 1 de julho de 2007

Precisa-se de idéias...

Como a maioria já deve saber, eu tenho um imenso prazer em criticar e satirizar nosso ilustríssimo presidente. Porém minha mente ultimamente não tem colaborado com esse meu prazer.
Se você tiver alguma idéia colabore comigo....


Alysson Kálleb

terça-feira, 26 de junho de 2007

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"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

[Graciliano Ramos]


Texto perfeito!!!

My Chemical Romance - Cancer

Turn away
If you could get me a drink
Of water 'cause my lips are chapped and faded
Call my Aunt Marie
Help her gather all my things
And bury me in all my favorite colors
My sisters and my brothers still
I will not kiss you
'Cause the hardest part of this
Is leaving you

Now turn away
'Cause I'm awful just to see
'Cause all my hairs abandoned all my body
Oh my agony
Know that I will never marry
Baby I'm just soggy from the chemo
But counting down the days to go

It just ain't living
And I just hope you know

That if you say
Goodbye today
I'd ask you to be true
'Cause the hardest part of this
Is leaving you

Cause the hardest part of this
Is leaving you

domingo, 24 de junho de 2007

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"... Como certos acontecimentos insignificantes tomam vulto, perturbam a gente! Vamos andando sem nada ver, o mundo é empastado e nevoento. Súbito uma coisa entre mil nos desperta a atenção e nos acompanha. Não sei se com os outros se dá o mesmo. Comigo é assim. Caminho como um cego... "


[Angústia - Graciliano Ramos]

Morri afogado

Não me lembro se me empurraram ou se me joguei naquelas profundas águas. Mas isso é de mínima importância. Quando pequeno, sempre me divertia prendendo a respiração debaixo de águas e imaginava como as pessoas morriam afogadas. Se soubesse que aconteceria comigo...

Aqui, afirmo que me joguei, pois assim só culpo a mim mesmo. Nunca tive o interesse de aprender nadar, acredito, porém, que mesmo nadando morreria. A morte apenas demoraria mais. Se o tempo soubesse como é a morte...

Senti a água fria, congelante. Foi como receber uma facada no centro de meu coração. Meu corpo se equilibrou com a temperatura do profundo e aos poucos voltei à superfície. Última vez que vi o céu. Rápidos segundos de alívio, logo comecei afundar novamente. Prendi a respiração e enquanto a luz me sumia via lembranças da minha vida. Era insuportável a pressão da água sobre mim. Pedia ajuda para quem me matava. Inútil. Água pela boca e pelas narinas. Ficava cada vez mais pesado. Impossível descrever a sensação de ter os pulmões ausentes de ar, cheios de água. Via a vida indo embora. A escuridão do mar atrapalha minhas lembranças. Além disso, nada sei...

Água, água e água. Assassina água. Se pudesse matá-la...
Morri, experimentei o inexperimentável e agora não sei onde estou.



Alysson Kálleb